sábado, 18 de fevereiro de 2012

Morte prematura

Ontem de manhã (17/02/2012) liguei para um grande amigo que conheci no curso de Filosofia, o Ednilson (também conhecido por Júnior). A esposa dele atendeu ao celular e me disse que ele não queria falar com ninguém, pois tinha perdido seu sobrinho, de um ano e dez meses, alguns dias antes (não me lembro exatamente agora, mas acho que dois ou três dias atrás). Disse também que ele estava muito mal e queria dedicar seu tempo apenas à família, até a tristeza passar. O fato do Ednilson ter "Júnior" no sobrenome me fez lembrar de meu primo, que tinha "Neto".

Não sei qual é a dor de perder um sobrinho. Mas só de pensar no sofrimento do Ednilson, lembrei do que senti quando soube da morte de meu primo, Netinho (também chamado por alguns de Amadeu). Bem, só pra registrar, o nome de meu primo era ("era"?) Antônio Amadeu Florentino Neto. Por isso chamávamos de Netinho.

O Netinho morreu aos 21 anos. Alguém o matou. Não conseguimos descobrir quem. Parece que só os parentes ficaram interessados em saber quem cometeu a barbaridade, já que o Estado do Pará (e a polícia que o acompanha) não demonstrou interesse em investigar. Tudo bem, pra não ser exagerado em minha afirmação, demonstrou sim: interesse mínimo, quase nada. Inclusive fizeram o favor de queimar a mata ao redor de onde ele foi encontrado morto.

Isso mesmo! Naquela ocasião, o Governo do Estado decidiu queimar num raio de trinta metros ao redor do local do crime, devido a alguma "obra" que fariam no local. A cidade de Belém ficou 7 dias sem água. Às vezes eu fico tentando imaginar como a capital de um Estado consegue sobreviver esse tempo todo sem tal elemento básico e essencial.

Pra não deixar minha explicação no escuro, faço questão de lembrar a mim mesmo que ele morreu numa casa de força, eletrocutado. A primeira coisa que disseram foi que ele se jogou, suicidou-se. E ponto final. Ora, até onde lembro, ele tinha escoriações pelo corpo. Meu irmão chegou a me falar de duas possibilidades, mas prefiro não pensar nelas agora.

Seja lá como for, até hoje choro pela morte de meu primo. E olha que ele morreu em 2009. Poxa, se não me engano, recebi uma ligação de meu pai na noite daquele sábado passado, dia 20 de junho de 2009, dizendo que o Netinho havia morrido. Lembro que já tinha começado a dormir. Depois da notícia, demorei muito a dormir. Repito: até hoje choro a morte de meu primo!

Tenho muito a dizer sobre tudo isso. Preciso organizar melhor tudo o que já aconteceu. Já faz quase três anos que tento, mas não consigo. Acho que, escrevendo aqui, manterei o foco. Preciso esclarecer melhor o que aconteceu desde a morte de meu primo: o que descobrimos, o que aprendemos, o que levamos adiante.

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